Domingo, Junho 28, 2009

Sobre o que é isso?

Não há certo ou errado, bem ou mal. Há apenas pessoas. E olhe lá...
Relações de amor, ódio e poder. De iguais e diferentes. De semelhantes e estranhos.
Seres humanos.
Pedaços de carnes em meio à linguagem materna.
Joguetes de um grande e limitado jogo.
Peças num grande tabuleiro de xadrez.
Que papel ocupa?
Quem joga?
Se nunca percebeu: eu, você e todos os outros.

There's no way out, it's about play time, it's play time now.
Your turn.
What's your next step?

Da psicologia à psicanálise.
Da prosa à poesia.
Da obsessão à histeria.
Do homem à mulher.
Do homo ao hetero.

Relações de amor, ódio e poder.

Domingo, Junho 21, 2009

Resumo

Hoje descobri que não sou sozinho por ser tímido. Pelo contrário, sou tímido para não estar junto, para me manter mui bien separado do outro.

Hoje descobri que meu pai foi a melhor mãe que alguém poderia ter, mas o pior pai que poderia existir. Na ausência de uma função de mãe (onde estava mainha?) meu pai se tornou rainha. O rei? Tenho construído.

Hoje descobri que me formarei com dois TCCs. Um sobre identidade do agente comunitário de saúde e outro sobre função paterna. Escrevo sem me dar conta a história do Cavaleiro, um homem que procura seu caminho em busca da virilidade e do pai.

Hoje descobri que não sou o pior cara do mundo. Poderia estar namorando, poderia estar junto. Tenho muito a oferecer; garotas não me deixariam fácil. Porém não suportaria alguém em minha cola pedindo instruções ou me dando instruções. Preciso de ar... meu pai absorveu demais. Por que não o "cortaram"?

Hoje descobri que nunca me senti seguro em minha família. Apesar das chaves da casa, às dezenas, não havia aquela proteção que se sente e a segurança para ir além. Lembrando A Águia e A Galinha, sempre fui a primeira, mas criado como a segunda.

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Saudades

Sinto saudades de escrever em meu blog. Fazem dias que aqui não mexo, apenas passo para relembrar. No fim, eu, que achava não ter história, construi a minha.

Sábado, Outubro 04, 2008

"Les thérapies à la carte"

Chegamos ao empasse da psicologia, ao tempo em que esta área está sendo contaminada pela visão capitalista de mundo, pela maldita visão que mistura tudo e diz "goze, faça tudo o que quiser, você consegue tudo, você é dono de tudo". O próprio Deus fora morto e retirado das frases de caminhão. No antes: "Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono". No depois: "Sou dono do mundo". Viramos deuses, temos feito o que bem entendemos sequer sem pensarmos se o que entendemos é ético, respeitoso e digno de ser realizado.

Das escolas primeras na psicologia - associacionismo, estruturalismo, funcionalismo - "evoluímos" para a psicanálise, o behaviorismo, a gestalt, o humanismo, a esquizoanálise, a psicologia social, cognitiva, etc. Cada teoria, sempre em sua pretensão divina de dar conta de toda a realidade, universalizou seu conhecimento, mesmo quando disse que tudo é relativo (se tudo é relativo, até mesmo o conhecimento desta teoria é relativo, portanto, há algo absoluto). A episteme era universal. O conhecimento de cada base teórica norteava toda a prática.

Contudo, chegamos a um outro momento. Provavelmente sendo influenciados pelas linhas da auto-ajuda, sistema de idéias xulas e toscas que influenciam a vida de milhões de ocidentais para que estes realizem tudo que queiram, independente da sociedade, do tempo, da vida ("faça o que bem entender, a vida é sua, você não depende de nada". A psicologia entra em uma nova fase, eclética (tanto a auto-ajuda quanto a abordagem eclética tiveram início nos Estados Unidos; mera coincidência?), na qual a teoria perde sua força, já não dá mais conta da realidade, é relativa.

Relativizar a teoria é um ganho. Há situações que uma psicanálise é melhor que outras linhas e vice-versa. No entanto, há uma perda, e é esta perda que tem sido o problema. Relativizou-se a teoria, porém, ecleticamente, procurou-se unir o que é importante em cada teoria formando uma nova teoria (teoria?...), melhor, uma nova técnica a-teórica para se trabalhar. Relativizou-se a teoria. Ela não dá mais conta de tudo. Doravante, potencializou ao extremo o sujeito: ele dá conta de tudo utilizando todas as teorias.

As teorias viraram meras ferramentas. Usa-se qualquer coisa para trabalhar. Abordagem eclética. "Le temps de l'éclectisme. Les thérapies à la carte". Chega alguém a um consultório psicológico, recebe um menu e escolhe a abordagem que deseja. O psicólogo se enrola, muda o set terapêutico e trabalha de acordo com o desejo do cliente: "me peça que realizo teu desejo".

Um gozo fatal e mortífero. Temos, capitalisticamente, permitido ao povo, ainda assujeitado, apesar de achar-se sujeito, realizar seus desejos (que desejos são estes?), sem questioná-los, sem problematizá-los. Que ética esta presente nestas condutas?

Chega um paciente a uma empresa de psicologia. Basta uma secretaria na portaria. Ela tem o papel mais importante: dizer tudo sobre você e como você será curado (curado de que?). Em seu computador, digita seus fatores psicológicos, seu problema e realiza um mapeamento de qual profissional e qual abordagem resolverão a situação em quanto tempo. Viramos profissionais vendidos. É isto o que seremos? Meros técnicos em psicologia?

Não temos lido mais. Não temos buscado construir conhecimento. Temos misturado tudo, temos feito uma sopa de teorias e tentado trabalhar o sujeito passando por cima das bases filosóficas que estão presentes em cada linha. "O homem lobo do homem" se junta ao "homem é humanamente bom" e tudo é feito. Confuso, não?

Um psicológo, um profissional psi, que não tem conhecimentos em filosofia, sociologia, antropologia, anatomia, e outras linhas, não merece ser psicólogo, merece ser um técnico. Pior, todo técnico é a certeza de que o sistema conseguiu enfraquecer mais uma classe e transformá-la em joguete, em fantoche. Estamos perdendo e fechando nossos olhos.

É preciso refletir a respeito destas práticas. É preciso quebrar a idéia do menu, do prato do dia. Seguindo Lacan, "não responda ao que eu lhe pergunto, pois não é isso o que quero".

Esses ecléticos...
Em pensar que o povo adora, os ecléticos e O Segredo.

Le temps de l'éclectisme. Les thérapies à la carte

Sexta-feira, Setembro 19, 2008

Palavras, palavras, ao vento...

"Não chore mais, vem pra mim vem,
não sofra, não pense, não chore mais, meu bem"

Palavras matam. As mesmas que produziram salvação. Escárnio. Palavras matam. Se fosse possível diferenciar os homens dos animais, aí está, palavras, linguagem. Na loucura do momento não percebeu que construiu um dialeto e nele ficou preso. Pobre daquele que julgou que ali estaria a salvação. Palavra é vida e pelo verbo tudo se fez carne. O problema é que a carne apodrece, logo, assim também se faz o verbo e, consequentemente, a palavra.

"Palavras mal ditas são palavras malditas"

Tudo isso é um problema básico de maldição, mal-dição, mal-dicção, mal-dizer, mal falar. Por não dar-se conta do instante, fraturou o órgão e deixou saltar-lhe um jogo imundo, um conjunto de palavras relacionadas que produziram uma estruturada lógica de palavriados. E, assim, fora destronado o rei que, naquele momento, estava nu.

"Meu zem, meu bem, meu mal"

Talvez não seja tão mal assim, conquanto que se pense que a própria noção valorativa de mal foi construída no exato momento em que o fato ocorreu a partir das vivências anteriores daqueles que vivenciaram o acontecimento.

"Ça va?"